BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO – SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA SÍFILIS NO BRASIL

SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA SÍFILIS NO BRASIL

As IST´s ( Infecções Sexualmente Transmissíveis) representam um problema de saúde pública em todo o mundo, na medida em que estão entre as infecções transmissíveis mais comuns e atingem potencialmente a saúde e a vida de milhões de pessoas. Um impacto direto ocorre especialmente sobre a saúde reprodutiva e infantil, ocasionando consequências como infertilidade e complicações na gestação e no parto, morte fetal e diversos agravos à saúde da criança. Além disso, um dos impactos indiretos da infecção por uma Ist é o aumento do risco de transmissão sexual do vírus da imunodeficiência humana (HIV). Em se tratando da sífilis, ainda segundo a OMS, o panorama desta doença no Brasil não diverge do de outros países. Os números de casos são preocupantes, o que demonstra a necessidade de reforço às ações de vigilância, prevenção e controle da infecção.    

A estratégia 2016-2021 do setor global de saúde para as Ist´s  foi apresentada na Assembleia Mundial de Saúde em 2016. Tal estratégia contempla a ampliação de ações e serviços baseados em evidências para reduzir o impacto das Ist´s como problema de saúde pública até 2030, com metas de redução global de casos de sífilis e gonorreia, eliminação da sífilis congênita e ampliação da cobertura de imunização contra o papilomavírus humano (HPV).

No Brasil, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (2021), no ano de 2020, foram notificados no SINAN 115.371 casos de sífilis adquirida, 61.441 casos de sífilis em gestantes e 22.065 casos de sífilis congênita. As taxas de incidência de sífilis no período de 2010 a 2020  demonstram que, no ano de 2018, alcançaram  9,0 casos por 1.000 NV ( nascidos vivo), com queda nos anos seguintes, atingindo 7,7 casos por 1.000 NV em 2020. A taxa de detecção de sífilis em gestantes em 2019 foi registrada em 21,8 casos por 1.000 NV e decresceu para 21,6 por 1.000 NV em 2020. Em relação à sífilis adquirida, houve aumento da taxa de detecção até 2018 (76,4 casos por 100.000 habitantes) com redução no ano de 2019 (74,2 casos por 100.000 habitantes) e queda acentuada em 2020 (54,5 casos por 100.000 habitantes).

Segundo o Boletim Epidemiológico, é possível observar que no ano de 2020, comparado ao ano de 2019, houve redução de todas as taxas: 26,6% na taxa de detecção de sífilis adquirida, 9,4% na taxa de incidência de sífilis congênita e 0,9% na taxa de detecção em gestantes. A redução no número de casos pode decorrer de uma subnotificação dos casos no SINAN devido à mobilização local dos profissionais de saúde ocasionada pela pandemia do Covid-19.

o que é a doença?

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável e exclusiva do ser humano causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária), além da Sífilis Congênita.

Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior. A sífilis pode ser transmitida por relação sexual sem camisinha com uma pessoa infectada ou para a criança durante a gestação ou parto.

A infecção por sífilis pode colocar em risco não apenas a saúde do adulto, como também pode ser transmitida para o bebê durante a gestação. O acompanhamento das gestantes e parceiros sexuais durante o pré-natal previne a sífilis congênita e é fundamental para ofertar um pré-natal de qualidade na Atenção Primária.

Como prevenir a sífilis?

O uso correto e regular da camisinha feminina e/ou masculina é a medida mais importante de prevenção da sífilis por se tratar de uma Infecção Sexualmente Transmissível.

O acompanhamento das gestantes e parceiros sexuais durante o pré-natal e a realização dos testes rápidos de Sífilis na 1° consulta de pré- Nnatal e de VDRL nos três trimestres contribui para o controle da sífilis congênita.

Quais são os sinais e sintomas da sífilis?

Os sinais e sintomas da sífilis variam de acordo com cada estágio da doença, que divide-se em:

Sífilis primária – sintomas

  • * Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias.
  • * Normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.

Sífilis secundária – sintomas

  • * Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial.
  • * Pode ocorrer manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias.
  • * Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo.

Sífilis latente – fase assintomática – sintomas

  • *Não aparecem sinais ou sintomas.
  • * É dividida em sífilis latente recente (menos de dois anos de infecção) e sífilis latente tardia (mais de dois anos de infecção).
  • * A duração é variável podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Sífilis terciária – sintomas

  • * Pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção.
  • * Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Sífilis Congênita

A sífilis congênita é uma doença transmitida para criança durante a gestação (transmissão vertical). Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado for positivo (reagente), tratar corretamente a mulher e a parceria sexual, para evitar a transmissão.

Recomenda-se que a gestante seja testada pelo menos em 3 momentos:

  • * Primeiro trimestre de gestação.
  • * Terceiro trimestre de gestação.
  • * Momento do parto ou em casos de aborto

A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança.

Quais são as complicações da sífilis congênita

São complicações da sífilis congênita:

  • * Aborto espontâneo;
  • * Parto prematuro;
  • * Má-formação do feto;
  • * Surdez;
  • * Cegueira;
  • * Deficiência mental;
  • * Morte ao nascer

TRATAMENTO 

O tratamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a Benzilpenicilina Benzatina o medicamento de escolha e a única droga com eficácia durante a gestação e também para o tratamento de todos os casos de Sífilis, seja adquirida, congênita ou gestacional. Para prevenção da sífilis congênita, tanto as gestantes quanto seus parceiros devem fazer os exames de diagnóstico. Em caso de resultado positivo para a gestante, é fundamental que o parceiro também procure o serviço de saúde e passe pelo tratamento. Dessa forma, a reinfecção por sífilis é evitada, e a saúde da mãe e do bebê ficam garantidas.

PREVENÇÃO

A sífilis é uma doença que nem sempre apresenta sintomas, em alguns casos a infecção é silenciosa e não apresenta sintomas durante anos. Ainda assim, as pessoas infectadas continuam transmitindo a doença, desta forma, o melhor método de prevenção é a utilização dos preservativos em todas as relações sexuais.
O acompanhamento das gestantes e parceiros sexuais durante o pré-natal de qualidade contribui para o controle da sífilis congênita.

REALIDADE DA SÍFILIS NO MUNICÍPIO DE CACHOEIRA DA PRATA – BOLETIM INFORMATIVO ANUAL

Ressalta-se que o município no ano de 2020 não registrou nenhum caso de sífilis, entretanto devemos levar em consideração o momento que vivenciamos e ainda estamos vivendo com a Pandemia do Covid-19. No ano de 2020, muitas orientações foram voltadas para a população permanecer em isolamento, isso dificultou muito os trabalhos voltados a educação em saúde, principalmente atividades que envolviam um número maior de pessoas como as campanhas de mobilização.  Diante desses dados e do momento pelo qual passamos, enfatiza-se a importância da população procurar a Unidade de Saúde e a Estratégia de Saúde da Família para a realização de testes rápidos de sífilis e outras IST´s. As campanhas educativas e as mobilizações voltadas à prevenção das IST´s e outras patologias estão sendo realizadas pela atenção primária.

AÇÕES DE PREVENÇÃO CONTRA A SÍFILIS REALIZADAS NO MUNICÍPIO DE CACHOEIRA DA PRATA

  • * Realização de testes rápidos das principais IST´s ( sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV), são ofertados à toda a população , especialmente às gestantes e seus parceiros.
  • * Oferta de todos os exames do pré-natal às gestantes, incluindo o teste de VDRL, e teste de outras IST´s nos três trimestres de gestação. Vale ressaltar a importância da realização dos testes rápidos de IST´s na primeira consulta de pré-natal. 
  • * Realizar busca ativa das gestantes faltosas ao pré-natal.
  • * Garantir a realização de pelo menos sete consultas de pré-natal para todas as gestantes;
  • * Palestras e campanhas educativas com informações sobre a doença, a prevenção e tratamento.
  • * Notificar, acompanhar e realizar o tratamento de todos os casos suspeitos no município.
  • * Busca ativa de todos os pacientes que não comparecem para dar continuidade ao tratamento de Sífilis.
  • * Disponibilização de preservativos masculinos e femininos na Unidade Básica de Saúde (UBS) e na Estratégia de Saúde da Família (ESF).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante do cenário epidemiológico vivenciado em todo o país com o crescimento dos casos de sífilis, observa-se uma preocupação considerável do Ministério da Saúde em implantar melhorias no serviço de saúde voltado para as IST´s, principalmente na oferta de testes rápidos aos municípios e capacitações aos profissionais de saúde para trabalharem com essa realidade do crescimento considerável das IST´s, principalmente a sífilis.

Apesar do Município de Cachoeira da Prata não ter tido casos de sífilis em 2020, ressalta-se a importância de todos os municípios desenvolverem ações voltadas a promoção da saúde, a prevenção das doenças, focando na prevenção das IST´s , como exemplo, a sífilis. Enfatiza-se a testagem rápida da população sexualmente ativa, através de Campanhas educativas. Observa-se a importância da abordagem e solicitação dos exames de IST´s na primeira consulta de pré-natal e principalmente a realização dos testes rápidos de sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV.

Considerando o impacto que a doença causa especialmente sobre a saúde reprodutiva e infantil (transmissão da Sífilis Congênita) e os investimentos ofertados para os trabalhos em cada município, os esforços na redução dessa doença e na prevenção da mesma devem ser realizados por cada profissional de saúde na tentativa de minimizar os problemas ocasionados por essa patologia.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Boletim Epidemiológico de Sífilis. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Ano V – nº 01

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Boletim Epidemiológico de Sífilis. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Ano VI – nº 01.

PLANO ESTADUAL DE ENFRENTAMENTO DA SÍFILIS CONGÊNITA, 2017. Disponível em: https://saude.es.gov.br/GrupodeArquivos/plano-estadual-de-enfrentamento-da-sifilis-congenita. Acesso em 10 de novembro de 2021.

PLANO DE ENFRENTAMENTO À SÍFILIS NO ESTADO DE MINAS GERAIS, SECRETÁRIA DE ESTADO DE SAÚDE DO ESTADO DE MINAS GERAIS, Belo Horizonte,2021.Disponívelem:https://www.saude.mg.gov.br/images/noticias_e_eventos/000_2021/sifilis/Plano%20de%20Enfrentamento%20%C3%A0%20S%C3%ADfilis.pdf. Acesso em 25 de novembro de 2021.

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